A POBREZA SOBRE O OLHAR DE ANA PAULA CLARO

 

Chegam-me aos olhos fotos com cheiros estranhos.


Aquele cheiro característico da fome, onde se entrelaçam os cabelos desgrenhados e as barbas compridas. 


Ou os olhos gigantescos das crianças com barrigas dilatadas e os ossos rompendo a finíssima pele.


Chegam-me aos olhos as lágrimas e o frio estremece-me o estômago, quando a impotência me assola pelos cheiros que as imagens transportam.

 

Olho para lá da imagem e entranho-me na sociedade que permite a decadência.


As cabeças que se voltam na direcção oposta; a moeda atirada, com um cordel de culpa; para dentro de uma lata que grita; a notícia que não é notícia, porque não vende.


Compra-se a informação fácil, a morte colunável vende bem, a fome incógnita é uma afronta.

 

Chegam-me aos olhos fotos com cheiros estranhos.


Arames farpados que me soam a guerra. O rosto conformado que, da violência, sofre. O extermínio em massa. 

 

Quem se importa?

 

Quando as bandeiras são hasteadas nas nações que vivem para além das pessoas, num engano e numa mentira que transforma o tudo num nada assombroso.


O meu inconformismo revolta-se pela mala feita à pressa que transporta os pertences de um refugiado da guerra; pelas moscas que parecem não incomodar o corpo passivo da criança africana; pela garrafa de álcool que tomba ao lado de um caixote de cartão, no vão de um prédio urbano.

 

O sabor que me vem à boca tem um estranho gosto a azedo mas já nem vomito pelos diamantes, ou pelo petróleo, nem mesmo a ambição do poder me afecta.

 

É a passividade, o conformismo, a desumanidade dos zombies que a sociedade cria. São as multidões que seguem “encarneiradas”. É aquele slogan com pestilência de vírus que é gritado sem conteúdo que me atira para este estado de nojo.

 

Chegam-me aos olhos fotos com cheiros estranhos mas é vazio de um “enquanto não chega ao meu quintal, não é assunto meu” que sinto como a pobreza mais degradante.


É esta pobreza extrema no mundo que mais me repugna, a das ideias, dos pensamentos, da discriminação, da desumanidade entre os humanos supostamente seres.

 

Texto da autoria de Ana Paula Claro 

 

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Quem é Ana Paula Claro?

"Sou uma mulher feliz e mãe de quatro filhos e neste momento estou casada com um homem extraordinário.
Mas sou essencialmente um Espírito que habita um corpo que possui uma mente em constante descoberta.
Neste processo vou sendo Astróloga, escritora e facilitadora de várias terapias onde utilizo alguns Oráculos como Runas, Dados, Tarot, Cartomancia, Baralho Cigano, I Ching.
Reiki, Magnifield Healing, Cura Quântica, Radiónica, Numeralogia e o Pêndulo são outras técnicas que aplico.
A energia é a Linguagem do Universo, todas estas disciplinas são métodos que nos conduzem a ele.
Os Caminhos são muitos, o Destino é o mesmo.
Escrevi um livro que se chama "Porque a vida acontece" e é um livro de auto-ajuda, ajudou-me imenso escrevê-lo!
É biográfico. levou-me ao passado... desta e de outra vida.
O que pretendo com esta rubrica "uma outra visão"?
Pretendo escrever sobre temas que, há uns anos, se chamavam "ciências ocultas ou paranormais" e hoje foram transformadas em "espiritualidades" e tentar desmistificar conceitos errados e dúbios.
Tenho 55 anos, vivo no paraíso e convido-vos a conhecerem-me e a desvendarem-se

Bem Hajam!"

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