Category: Gente Inspiradora

1001 Cartas para Mosul

1001 CARTAS PARA MOSSUL

É difícil escrever sobre alguém que se descreve tão bem.

A Fátima Carvalho pediu-me para “falar” sobre o Gustavo.

O Dr. Gustavo Carona, é médico anestesista que, ao contar as suas peripécias em cenários de guerra, nos transporta a todos nós a um campo de Humanidade onde dificilmente controlamos as emoções.

Quem já leu algumas das suas crónicas, sabe exactamente do que falo, quem não sabe, aconselho a ler, pois não me cabe a mim fazê-lo.

Aqueles que vivem em quintais, onde a vida dos outros só chega em noticiários controlados, onde o futebol e as novelas, são a distracção entre duas publicações da sua rede social de eleição, aqueles que supõem que a Europa é o centro do universo
deviam viajar ao mundo real.

 

O Mundo Real é a fome, a guerra e a miséria onde a maior parte das populações sobrevive.
O Mundo Real é a escravatura para a sobrevivência da economia do abastecimento.
O Mundo Real é o outro lado que o Gustavo tenta mostrar com o que escreve, ao relatar o que vivencia.

 

Um dia, no facebook, li um apelo que dizia mais ou menos isto: “Tenho um sonho, conseguir levar uma mensagem de esperança a quem tudo tem perdido nestes últimos anos. Cartas, mensagens, desenhos, o que quiserem. Vamos fazer um livro e prometo levá-lo para o Iraque e dá-lo a quem precisa de palavras de conforto”. Isto foi o que retive do original e me fez participar com uma carta que escrevi em inglês mas que vos deixo aqui em português.

 

“Olá 
Eu não sei árabe, estou a aprender…
Sou casada com um árabe que, por agora, tem a sorte de viver num dos poucos países árabes que não está em guerra declarada.
Em 2009, a primeira vez que visitei um pais do Médio Oriente, vi campos de refugiados e estive em contacto com aqueles que fugiam dessa horrível violência.
Voltei em 2014 e conheci o homem que hoje é meu marido e tudo parecia pior, mas no meio deste “pior”  eu escrevi o livro sobre o melhor dos temas: o Amor.
E é disto que vos quero falar pela minha própria experiência, sabendo como é difícil viver separada por burocracias sociais que nada são, comparadas com o desespero da guerra e da incompreensão da existência humana.
Sei que existem forças maiores que todas as guerras e todas as intolerâncias, são essas forças que fazem a diferença.
Sei, porque acredito!
Acredito na Humanidade que existe em todos nós e que, apenas, está adormecida, atordoada pela propaganda que não precisamos.
Acredito na Compaixão que inunda de lágrimas os nossos olhos e arrepia a pele devido a tantas notícias tristes.
Acredito no Amor mesmo quando nada parece fazer sentido.
Existem Seres deste lado da guerra que são Humanos que sentem as vossas dores, rezam as vossas orações e acreditam que sorrir deve fazer parte das vossas vidas de novo.

 

Com Amor, 
Ana Paula Claro”

 

Esta foi a minha contribuição.

E, num mês, ele conseguiu reunir material suficiente para “1001 Cartas para Mosul”. Não são 1001 cartas, são 246 mas a referência às Mil e Uma Noites da Sherazade pareceu-me muito apropriada, ou não fosse, este, o livro encantado da Pérsia Antiga de onde o Médio Oriente faz parte.

 

Fiz cerca de 600 km para estar na apresentação do livro, no Porto. Era um dia especial, a minha mãe faria anos, se fosse viva. Acreditem que foram horas de muitas emoções. 

Ao ouvi-lo, somos reportados para o que vive. 

Conhecê-lo, é arranjar no nosso coração um espaço privilegiado para ele.

“O Mundo precisa de saber” é outro dos seus livros que, numa escrita simples nos transporta para os seus dilemas, para as suas dúvidas, para as questões de vida e morte.
Pouco tem de “figura pública”, tudo tem de essência e humildade.

 

O vedetismo é degradante. A humildade ganha o céu.

 

Muito do que escreve serve de estalo na cara a muita gente numa linguagem simples e comovente, mostra que há um outro mundo, aquele a que tantos fecham os olhos.

Foi um privilégio conhecê-lo.
Bem haja Gustavo 🌹

Texto da autoria de Ana Paula Claro

 

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Quem é Ana Paula Claro?

"Sou uma mulher feliz e mãe de quatro filhos e neste momento estou casada com um homem extraordinário.
Mas sou essencialmente um Espírito que habita um corpo que possui uma mente em constante descoberta.
Neste processo vou sendo Astróloga, escritora e facilitadora de várias terapias onde utilizo alguns Oráculos como Runas, Dados, Tarot, Cartomancia, Baralho Cigano, I Ching.
Reiki, Magnifield Healing, Cura Quântica, Radiónica, Numeralogia e o Pêndulo são outras técnicas que aplico.
A energia é a Linguagem do Universo, todas estas disciplinas são métodos que nos conduzem a ele.
Os Caminhos são muitos, o Destino é o mesmo.
Escrevi um livro que se chama "Porque a vida acontece" e é um livro de auto-ajuda, ajudou-me imenso escrevê-lo!
É biográfico. levou-me ao passado... desta e de outra vida.
O que pretendo com esta rubrica "uma outra visão"?
Pretendo escrever sobre temas que, há uns anos, se chamavam "ciências ocultas ou paranormais" e hoje foram transformadas em "espiritualidades" e tentar desmistificar conceitos errados e dúbios.
Tenho 55 anos, vivo no paraíso e convido-vos a conhecerem-me e a desvendarem-se

Bem Hajam!"

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Maria – O Mundo precisa saber

MARIA

O Mundo Precisa de Saber

Relatos de histórias reais vividas e contadas na primeira pessoa, pelo médico sem fronteiras, Gustavo Carona.

Acho que é preciso uma certa coragem para escrever esta história, da mesma forma que será necessário alguma coragem para a ler. Isto é apenas uma história de muitas, do dia-a-dia de uma África que poucos imaginam que exista. É não é de um passado longínquo… é de ontem, de hoje, e infelizmente de amanhã…

 

Já muito vi eu, mas como a história desta rapariga nada parecido tinha cruzado a minha vida de médico.

 

Vou-lhe chamar Maria. A Maria tinha 22 anos quando a conheci, e chegou-nos à maternidade de Bangui em circunstâncias muito especiais. 

 

A razão pela qual a Maria nos foi enviada para a maternidade de Bangui, foi para fazer um aborto. O aborto é ilegal na Rep. Centro-Africana. 

 

O assunto é sensível, e na minha opinião eticamente discutível… mas dadas as circunstâncias na minha humilde opinião, o caso da Maria não me leva sequer a pestanejar sobre a decisão. A Maria foi raptada por um grupo armado durante meses. É um dos grupos mais famosos em África, o Lord Resistance Army (LRA) do Joseph Kony… que deu origem a uma campanha americanizada chamada Kony 2012. Têm as suas raízes ideológicas no Uganda, mas desde há muito que espalham o terror pelo RDCongo, Rep. Centro-Africana e Sudão do Sul… Queimam aldeias, roubam crianças para o seu exército, espalham uma violência de contornos que nem os filmes mais sensacionalistas são capazes de descrever… A Maria foi raptada pelo LRA no leste da Rep. Centro-Africana e ficou em cativeiro ambulante durante meses… Foi violada uma e outra vez… por um, por dois, por todos… uma e outra vez…. vezes sem conta, até a despejarem algures, nas condições em que eu a conheci.

 

A violência sexual nestas zonas de conflito deveria ser combatida como prioridade máxima da humanidade. Percebermos o que estas mulheres passam, faz parecer a morte algo de bonito. É difícil perceber em que momento das nossas vidas é que nós deixamos que isto aconteça, sem nos levantarmos em revolta… E por mais difícil que nos pareça a solução… ela existe. Tem que existir.

 

A Maria parecia ter perdido a expressão humana. Não ria, não chorava, parecia desprovida de emoções… O olhar era vazio, talvez de desistência, talvez de trauma profundo, talvez de revolta, certamente de tudo um pouco. A Maria estava altamente desnutrida, não teria menos de 1,65 m e pesada 19 quilos. Se me contassem, eu diria que esta história era mentira, mas não é. Infelizmente não é. Estranho é, como é que do ponto de vista médico foi possível que ela engravidasse num estado de desnutrição tão grave. Estaria grávida de 8-10 semanas, com um útero minúsculo mas que sobressaía num abdómen espalmado de pele e osso. Talvez as últimas semanas tivessem sido mais agrestes em termos do mau tratamento que lhe deram… Muita coisa eu não sei, muita coisa ninguém perguntava… Até porque a Maria mal falava, não se segurava de pé e o pouco que sabíamos, que era já muito, era-nos contado pelo marido. Sim, pelo marido.

 

Eu confesso que já há muito tempo na minha prática médica que é quase sempre através dos familiares que levo as maiores chapadas emocionais… Talvez por ter abraçado campos da medicina, com doentes demasiado críticos, com quem eu nunca falo ou que morrem… e por isso, é através dos familiares que vejo a humanidade, a pessoa que está por “de trás” daquele doente para mim.

 

A história da Maria e o seu estado clínico dilaceravam-me o coração… mas o marido, eu nem sei bem explicar… Eu não conseguia sequer olhá-lo nos olhos, sem desatar a chorar, sem ser agredido pela violência que aquela rapariga passou, sem levar com o ricochete dos tormentos que este homem estava a passar… Até porque as histórias típicas destas zonas do planeta das raparigas que são violadas, é a exclusão imediata da sua comunidade. Como se não bastasse o sofrimento que passaram, ainda são ostracizadas e abandonadas por todos… Mas o marido da Maria estava ali ao lado. Estava sempre ali ao lado, interessado, preocupado e a ajudar em tudo o que era preciso… que era bastante, porque a Maria nem conseguia comer ou beber sozinha, tal era a debilidade da sua condição física.

 

Há coisas que não estão escritas em livro nenhum de medicina. O que fazer com esta rapariga? Ninguém sabia muito bem se era seguro fazer um aborto farmacológico num estado de desnutrição tão grave. O objectivo era salvar-lhe a vida, claro está. E pareceu-nos que o mais sensato era alimentá-la uns dias para que o seu organismo estivesse mais capaz de suportar aquilo que é sempre disruptivo em termos fisiológicos e hormonais, a “bomba” que é a interrupção voluntária da gravidez.

 

A minha vida continua, pois tenho muitas doentes/parturientes… mas sempre assombrado com esta história… Não consigo parar de pensar naquilo que esta rapariga passou. Acho que esta história marcou um antes e um depois na minha vida… E a grande razão pela qual escrevo é a vontade de ser fiel à revolta intensa que o sofrimento desta e de tantas outras raparigas, causou em mim…

 

Cada vez que ao longo do dia passava para ver como a Maria estava, sentia o estômago às voltas… Cada vez que o marido me pedia para lhe fazer o ponto da situação, eu segurava as lágrimas com toda a força, para depois as deixar sair em jacto num canto qualquer… As pessoas que faziam o necessário acompanhamento psicológico estavam destruídas. Acho que a história da Maria destruiu a vida a muita gente, mas deveria tirar o sono a muitas mais…

E o ponto que dominava toda esta história era o medo de perguntar. O medo de saber. Ajudar o mais possível, mas tentando saber o menos possível… Ninguém estava preparado para saber tudo. Eu não estava e ainda não estou. O pouco que soube tirou-me muitas noites de sono. O que aconteceria se tudo soubesse?

 

Passaram uns dias, e a Maria parecia estar a restabelecer algumas das suas forças… aos poucos parecia ter expressão facial, ia-se alimentando aos poucos cada vez melhor, mas para minha grande surpresa, numa das manhãs que chego ao hospital dizem-me que ela terá tido crises epiléticas. Eu não tenho muita experiência com desnutrição grave, mas não percebia o substrato cientifico para aquilo estar a acontecer… 

 

Tenho sempre uma reacção de dúvida constructiva… As descrições e interpretações por vezes são inconsistentes, e inespecíficas… e há sempre muito que se perde nas passagens de turno e nas barreiras linguísticas. Nestas circunstâncias mais do que nunca é preciso ver para crer. Até que vi mesmo. E vi várias vezes, algo que realmente era estranho, pois tinha movimentos rítmicos mas frustres e também alteração de consciência, mas como não estava bem consciente era difícil de avaliar… Mas concordei com a interpretação das crises epilépticas e tratamos em conformidade… Mais uma grande indecisão médica a acrescentar a todas as outras que eu já tinha. O que é que se estava a passar? Que anti-epilético? Que dose? A falta de exames laboratoriais exponenciam as minhas dúvidas ao infinito… A epilepsia não é uma doença, é um sintoma. É preciso compreender o porquê. E eu não compreendia, embora teorias hipotéticas, claro que tinha algumas. Tratei como me pareceu adequado e as crises diminuíram bastante.

Apesar desta complicação incompreendida, ela estava a melhorar lentamente, e optamos por avançar com a aborto. Foi um momento sensível. Foi uma decisão dolorosa do ponto de vista médico… mas tudo decorreu sem percalços. Uma pequena perda de sangue vaginal e a confirmação ecográfica e clínica de que está terminada esta gravidez.

 

O seu estado geral não piorou, e ela parecia aos poucos estar a voltar a ser uma pessoa… Aquilo que eram gemidos, agora já pareciam ser palavras, uma ou outra vez conseguia arrancar-se um sorriso da Maria, e com alguma ajuda já se aguentava em pé por uns segundos… A barómetro das melhorias, era o sorriso do marido qua ganhava dimensão dia após dia… Mas o caminho ainda era longo. Talvez até infinito.

E agora o que fazer com a Maria? A razão pela qual veio para a maternidade tinha terminado… E começaram a falar em transferi-la para outro hospital. Eu detesto esta conversa, porque acho sempre que nestes locais estamos a mandar os doentes para um buraco negro… Começam a convencer-me que num hospital geral há medicina interna, e neurologia, e até lhe podiam fazer um electroencefalograma (EEG), e por aí fora… Eu torci o nariz. Torço sempre nestes casos. Eu tenho um mundo infinito de coisas para aprender na medicina, e um mar de ignorância… mas comigo eu sei com o que é que eu posso contar. Mas a verdade é que uma maternidade não era o local para ela estar, e passados uns dias de contactos para a transferência, fui eu mesmo levar a Maria para o outro hospital.

E fiz as coisas à minha maneira, à maneira que me ensinaram, à maneira das boas práticas médicas. O “normal” seria despejar a doente na urgência com uns papeis e vir embora. E quando cheguei ao dito hospital o sistema, se é que há algum sistema, quase que me obriga a fazer o “normal”. Mas eu esta não ia deixar passar… Chateei toda a gente que consegui para passar a informação ao vivo e a cores ao médico que me parecesse mais bem preparado para a receber… Missão difícil. Tive que ser bruto, tive que puxar dos galões ao pedir em cascata que me chamassem alguém mais qualificado, até que cheguei ao chefe de Medicina Interna. A facto de ser branco leva a que seja tolerável um certo grau de loucura e excentricidade, que foi o que toda a gente pensou de mim ao furar pela urgência e pelo hospital a dentro… E ainda assim eu sabia bem porque é que torcia o nariz a esta transferência… Não sei como dizer isto de uma forma bonita. Estes hospitais são muito maus, a medicina é muito fraca… Falamos uma linguagem médica muito diferente, e o problema não está no meu francês.

Sentei-me sem ser convidado no gabinete do chefe de Medicina Interna, e expliquei tudo o que sabia e o que não sabia sobre o estado clínico da Maria. E não saí de lá até ter a sensação que o grosso da informação tinha passado, até lhe ter entregue os papeis da transferência em mãos, lidos em conjunto e até lhe “passar” a Maria à minha frente. Fiz o que pude. O meu desconforto era gigante, mas fiz o que pude.

Passados uns dias, chega-me a informação de que a Maria fez um electroencefalograma (EEG) e que não tinha epilepsia. E eu pensei logo: Foda-se, isto vai dar merda. Fazer um EEG é como tirar uma fotografia de um momento. Não se pode negar o diagnóstico sem a interpretação da clínica que eu tinha explicado em detalhe… E com este exame “negativo” tirar-lhe os anti-epiléticos.
Passados mais uns dias, a Maria morreu.

 

Quem é que matou a Maria?
Foram os animais que a violaram? Foi a ganância de quem alimenta esta guerra? Fui eu que devia ter sido mais teimoso e ficado com ela? Foi a pobreza da medicina da Rep. Centro-Africana? Ou fomos todos nós?

 

 

A Maria.

 

Texto da autoria de Gustavo Carona

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Gustavo Carona – Médico sem fronteiras

GUSTAVO CARONA - MÉDICO SEM FRONTEIRAS

Agradeço ao Gustavo a permissão para partilhar a sua história e trabalho aqui no Atitudes Que Brilham. Reforçando as suas palavras, “O Mundo Precisa de Saber”.

 

Gustavo Carona para mim é mais de que um médico, é um Ser Humano de excelência.

 

Nasceu em 1980, português, foi perante um desafio da vida que descobriu a sua paixão por medicina e onde vem a encontrar um grande propósito de vida, «Não posso salvar o mundo, mas vou ser feliz a tentar.»

 

Gustavo é um médico sem fronteiras com um coração do tamanho do mundo, todos os dias salva vidas, arriscando a sua.

 

Está neste momento na sua 13º missão no Sudão do Sul, onde através das suas partilhas sentimos a intensidade das histórias vividas, «Eu sei o que tenho a fazer, e já o fiz muitas vezes… mas não sou de ferro. Tenho medo, tenho dúvidas, e não quero morrer. Mas a vontade de ser útil, de ser médico, de ajudar é o meu foco.»

 

O blog vai relatar esta missão do Gustavo através das suas partilhas e mostra-se disponível para tudo o que ele precisar… 

 

Gustavo tem toda a razão, o mundo precisa de acordar, o mundo precisa de um novo despertar…  O Mundo Precisa de Saber.

 

Fátima Carvalho

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O que é um médico sem fronteiras?

Os Médicos Sem Fronteiras oferecem cuidados de saúde a pessoas em necessidade de ajuda humanitária. Estão presentes em diversas situações em que é necessária uma resposta rápida, atendimento médico especializado, profissionais qualificados, apoio logístico ou a inexistência da oferta de serviços gratuitos para populações sem recursos financeiros. Os principais contextos nos quais a organização actua são conflitos armados, epidemias, catástrofes naturais e situações que envolvem refugiados e deslocados internos. Médicos Sem Fronteiras (MSF) nasceu com o objectivo de proporcionar o acesso aos cuidados médicos além das fronteiras nacionais sem discriminação da raça, religião ou partido político. É uma organização não-governamental humanitária internacional (ONG) de origem francesa. Foi fundada em 1971 e é independente, neutra e imparcial. MSF está presente em todos os continentes, maioritariamente em África e na Ásia. Actualmente, leva ajuda humanitária a pessoas em mais de 70 países.

Como ser um médico sem fronteiras? Clica no botão para saber mais informações.

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Poderás seguir o trabalho do Gustavo Carona também na sua página:

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Gustavo Carona

GUSTAVO CARONA - MÉDICO SEM FRONTEIRAS

Foi no dia dos meus anos em que levei a machadada final. 

O Bodyboard era a minha vida. Era atleta, tinha jeito e era obcecado. O meu palmarés começou a crescer cedo e muito rápido. Fiz coisas que nunca ninguém tinha feito e com humildade o digo, acho que nunca ninguém o vai fazer. Ganhava campeonatos consecutivos. Ganhava aos mais velhos e com 14 anos cheguei a uma final de um campeonato Europeu de seniores. Tinha patrocínios de tudo e uma vontade de vencer imensurável. Treinava antes das aulas, ou à hora de almoço, ou depois das aulas. Era raro o dia que não punha os pés na água. Pouco ligava a tudo o resto que me desviasse do meu sonho: conquistar o mundo com a minha prancha. 

À vinda de um campeonato onde não houve ondas, paramos em Peniche na praia do Baleal para tirar a barriga de misérias numas ondas pequeninas mas bonitinhas. O mar parecia tão inofensivo que mesmo com a maré a vazar em cima de uma laje muito rasa, não me inibi de arriscar entrando dentro de um tudo numa onda que obviamente ia fechar. Dei uma pancada seca estrondosa com a cabeça e com o ombro, nessa pedra coberta de ouriços. Levanto-me atordoado e assustado com a perceção que me estava a esvair em sangue, mas não estava. Apenas tinha a testa tatuada de ouriços do mar espetados. Com ajuda dos meus amigos, tirei o fato e sentei-me na parte da frente da carrinha. Quando cheguei ao Porto não me conseguia mexer. Fui levado em braços até casa e cheio de dores nas costas, com a sensação que estava paralisado da cinta para baixo. Uma semana para que me passasse a contractura muscular e estava de volta ao mar. Mas nunca mais foi a mesma coisa. Percorri massagistas, fisioterapeutas, quiropractas, ortopedistas, fisiatras, neurocirurgiões do norte ao sul do país. Tentei tudo. E as dores nas costas sempre a piorar a cada vez que me metia nas ondas. E foi no dia em que fiz 15 anos que um ortopedista me disse aquilo que parecia ser cada vez mais óbvio: “Não vais voltar ao mar!” 

 

Com a minha mãe sempre ao meu lado, pedi-lhe para me deixar na praia uma última vez. E não se recusa um desejo a um moribundo… Estava um dia lindo, sem vento com ondas incríveis na “minha” praia de Leça, que era mais do que uma segunda casa, era tudo para mim. Estranhamente com menos dores que o habitual, despedi-me do amor da minha vida. Estava em estado de choque, não conseguia falar com ninguém… as minhas lágrimas misturavam-se com a água salgada enquanto na minha mente corria uma voz em repetição: “Nunca mais, Nunca mais, Nunca mais, …. !” 

 

Perdi tudo! Fiquei sem mundo! Tive que reaprender a viver. A melhor forma que conseguia descrever o que sentia na altura era que me tinham tirado o chão… e caía, e caía, e caía… em direção a nada. Durante 6 meses chorei todos os dias. Todos! Até que passei a ter um dia ou outro em que não chorava. As minhas notas foram muito medíocres para um rapazinho que até então era bom aluno. Sofri, sofri, sofri… perdi completamente o norte até que que decidi transformar a minha dor e frustração em algo positivo. 

 

Indignado por os médicos não me darem a solução, decidi canalizar a minha força para entrar na faculdade de medicina.
O meu sofrimento parecia-me algo tão aberrante que queria dedicar a vida, a evitar que isto alguma vez acontecesse a alguém. Se dependesse de mim, mais ninguém ia sofrer o que eu sofri.

Decidi ser médico.

Apaixonei-me pela medicina e mais ainda pela possibilidade de salvar vidas com o meu conhecimento e as minhas mãos. Em vésperas de um exame, fiz uma pausa do estudo e por acaso estava a dar uma reportagem sobre o INEM. Já me estava a parecer mais importante ver aquilo do que estudar um livro qualquer, quando a minha mãe me diz: “Se isto houvesse na altura talvez tivesses conhecido o teu avô!” … eu não disse nada, mas pensei para dentro com convicção: “É isto que eu quero fazer!” E assim me fui mantendo motivado à volta dos livros de medicina. Nada acontece num dia, e nada de importante conquistamos sem sangue, suor e lágrimas. Mas depois, do nada, chega aquele momento em que olhamos ao espelho e pensamos: “Conseguiste!

Salvaste a vida a alguém! Podia ter sido outro qualquer, mas foste tu!” E este sentimento não tem preço. Mas o tempo passa e queremos mais… todos queremos mais. E começo a olhar à minha volta. Começo a olhar para o mundo e levo um enorme murro no estômago quando menos estava à espera. O meu coração enviou mensagens muito estranhas ao meu cérebro na primeira vez que fui a Moçambique e senti que o IPod que escondia no bolso com medo de ser roubado, dava para dar de comer a muita gente… demasiada. E se fosses tu? E se fosses tu a nascer no lado “errado” do planeta, sem saber quando vais comer e completamente vulnerável a um sem número de doenças que te podem matar ou incapacitar? Fome é fome. Dor é dor. Em qualquer parte do mundo. 

A primeira vez que me voluntariei, paguei o meu voo e as minhas despesas para trabalhar em Moçambique e senti-me fantástico. A minha pequena ajuda fez com que a minha vida fizesse muito mais sentido… Não posso salvar o mundo, mas vou ser feliz a tentar. E então ofereci-me para trabalhar com os Médicos Sem Fronteiras e foi amor à primeira vista! Com eles podia utilizar os meus conhecimentos onde são mais precisos. Fui para a guerra esquecida da Rep. Democrática do Congo, onde estive 4 meses. Mudou completamente a forma como olho para a vida desde então. Ali estava eu, num dos países mais problemáticos do mundo onde já morreram mais de 5 milhões de pessoas, nos últimos 20 e poucos anos, e ninguém quer saber. Ser médico nestas circunstâncias é muito mais que uma profissão, é a razão da minha existência na mais pura das essências. Trabalhei até cair para o lado, salvei muitas vidas e parti o coração muitas vezes com a frustração das pesadas derrotas que sofri no hospital. “Abram os olhos para o Congo!”, escrevi eu. E se fosses tu?

 

Mas eu queria mais. Mais vida, mais compreensão, mais mundo. Nunca escolhi os lugares para onde fui, eles é que me escolheram a mim. Fui para a província do Noroeste do Paquistão, o epicentro do maior problema dos nossos dias: “terrorismo”, e lá encontrei um dos lugares mais interessantes e complexos do planeta. Uma das zonas mais pobres do mundo onde a magnitude dos problemas nunca parou de me surpreender. Adorei a sua gente e trouxe para casa a mochila cheia de histórias e lições de vida.

 

Depois, fui para o sul do Afeganistão mergulhar nos seus 40 anos de guerra. Que país! Bonito por dentro e por fora. A experiência conta muito, mas há sempre muito mais emoções virgens do que eu podia imaginar. E apesar de eu me ter entregue de corpo e alma a esta causa, às pessoas, aos doentes, ao hospital, à formação dos locais, acabo sempre com a sensação que aprendi muito mais do que ensinei, e trago para casa muito mais do que lá deixei. E se fosses tu a viver no maior campo de batalha do mundo? E se fosses tu a ir para a cama dormir sem saber se um drone ia bombardear a tua casa? 

 

Depois, os MSF propuseram-me uma missão na Síria. Eu achei que já não era possível ter mais medo, mas era. Entrar na Síria foi um dos momentos mais intensos da minha vida. Atravessar uma grande parte do país sem lei nem roque, onde as metralhadoras e os campos de deslocados saltam aos nossos olhos a cada esquina. O beco sem saída da Primavera Árabe, onde a população teme pela vida todo o santo dia. E se fosses tu a ver o teu amado país em guerra? 

 

As pessoas inteligentes fazem perguntas. As pessoas estúpidas têm todas as respostas. Desde pequeno que tento compreender o mundo tentando colocar-me na pele dos outros. Não podemos perder a esperança, não podemos deixar de nos preocupar, temos que aprender a tolerar as diferentes formas de viver. Vejam as notícias e abram os olhos para o mundo, e perguntem a vocês mesmos: E se fosses tu? Primeiro vão chorar, mas tudo o resto vão fazê-lo com um sorriso na cara!


Love!

Estão todos convidados e agradeço imenso todas as partilhas e divulgação 😊

 

Gustavo Carona

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O objectivo do grupo além de algumas partilhas positivas é o convite a algumas reflexões com o intuito de evoluirmos e de percebermos que não é o sucesso que cria a felicidade, mas que é a felicidade e superação que cria o sucesso.

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